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TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO: uma reflexão crítica

  • Foto do escritor: Wellington Silva
    Wellington Silva
  • 7 de fev. de 2023
  • 5 min de leitura


Introdução


Ao pensamos em educação enquanto fomento para a formação do ser humano, precisamos ter em mente que a tecnologia é a outra cara da moeda. Está relação é ainda mais intrínseca quando à analisamos a partir do seu desenvolvimento histórico. Ou seja, no que tange a tecnologia, o percurso traçado pelo ser humano desde seu primórdio até os dias atuais se constitui em um contínuo processo de criação e aprimoramento de técnicas que ao serem adaptadas e articuladas produz tecnologias que modificam suas relações com a natureza e com o espaço habitado.


Por outro lado, a educação também se fez indispensável para o ser humano, principalmente a partir do momento em que este se constituir como ser social. Ou seja, percebeu que a vida em comunidade lhes garantia uma maior segurança e melhor qualidade de vida.

Podemos, portando dizer que, a relação entre tecnologia e educação tornar-se inseparável do ser social desde os primórdios da sociedade. Se está afirmativa pode ser considerada evidente a partir da história humana, qual o sentido e o fundamento das discursões contemporâneas sobre a necessidade de integração da tecnologia na educação?


Embora a pergunta acima mostre um contraponto a discursão, ela não nega a relevância do intenso debate que vem sendo travado principalmente nestas duas primeiras décadas do século XXI. Portanto, nosso objetivo é buscar compreender a partir de um referencial bibliográfico os fundamentos que compõem esse debate atual sobre a necessidade de integrar tecnologia e educação como algo indissociável.

2. Educação, Sociedade e Tecnologia


Para entender a relação inerente entre as categorias educação, sociedade e tecnologia é indispensável uma definição prévia de cada uma.


Educação: compreendemos a educação como um processo histórico e contínuo cujo o objetivo fundamental é o pleno desenvolvimento intelectual, moral, ético, estético e psíquico do ser humano. Isso quer dizer que defendemos um projeto educacional que atenda às necessidades do ser social. Tal projeto educacional se contrapõe a educação-mercadoria cujo objetivo único é atender as necessidades do mercado de trabalho e os interesses dos grupos privados do setor educacional.


Sociedade: ao falarmos em sociedade estamos nos referindo a uma complexa relação entre uma infinita estratificação populacional como definido por (Johnson, 1997). Esse conjunto populacional, não necessariamente, encontra-se definida pelas fronteiras dos Estados-Nações. No entanto, compartilham de uma série de pressupostos que são vistos como elementos estruturantes do seu modo de vida. Neste sentido, sociedade é a denominação destinada a forma de organização de uma em que um povo ou diversos povos se “unificam” a partir de uma visão de mundo compartilhada sustentabilidade de elementos subjetivos mais ou menos comuns a todos.

Tecnologia: adotando o raciocínio de (Peixoto & Araújo, 2012), pensamos tecnologias como um conjunto de técnicas que a serem aperfeiçoadas em um processo histórico, ou seja, uma construção social que se desenvolve ao longo do caminho traçado pelo ser humano em sua jornada na terra. Portanto, não é possível ser vista como uma determinação do progresso técnico. Pois elas estão interligadas as escolhas que foram realizadas em determinado período históricos e a partir de contexto particulares.


2. 1. Tecnologia na Educação um olhar para Além do Fetichismo


Vivenciamos no momento atual da história humana um radical desenvolvimento tecnológico. Essas mudanças têm alterado significativamente as formas como vivemos, consumimos, nos relacionamos, trabalhamos e estudamos.

Diante de tamanhas transformações, vem consolidando-se um discurso que reivindica o uso de tecnologias na educação. Com a alegação de que o uso intensivo de tecnologias na educação é possível melhorar a qualidade da educação e despertar o interesse dos alunos em relação aos estudos. Esse discurso que vem conquistando a hegemonia nas políticas públicas para a educação.

É preciso, no entanto, refletir um pouco sobre esse discurso. Será que a tecnologia esteve e está afastada da sala de aula? Como é possível explicar todo o desenvolvimento tecnológico alegando que a educação esteve afastada das mudanças tecnológicas ocorridas nas últimas décadas?


Segundo (Moretto & Dametto, 2018),

"a reflexão acerca das novasmetodologias tecnologicamente mediadas, bem como a capacitação dos alunos para uma relação consciente e crítica com conteúdos virtuais, não se trata mais de um aditivo à educação, mas sim, de uma necessidade premente" (Moretto & Dametto, 2018, p. 81).

Verificasse assim, a partir da citação acima uma imposição ao uso das tecnologias em sala de aula como se ela se constituísse no fundamento educacional e a salvação para os problemas enfrentados na educação.

Não se trata de negar a importância e a contribuição da tecnologia ao processo educacional. No entanto, é preciso parar com o fetiche de que a tecnologia é a salvação para a educação. A crise da educação não está na falta de uso da tecnologia em sala de aula, pois a tecnologia nunca saiu deste ambiente. Aliás, não teria se desenvolvido tanto se não fosse ao mesmo tempo objeto e ferramenta de estudo em sala de aula.

Precisamos ao invés de alimentar esse fetiche, lutar pela implementação de um projeto educacional que seja fundado na formação plena do ser social. Ou seja, uma educação voltada a emancipação humana. De nada adiantará implementar os recursos mais modernos e tecnologicamente desenvolvidos em sala de aula se não vier junto a isto, um plano de carreira docente digno, uma redução do número de alunos por sala de aula.

A educação para ser de qualidade e efetiva em seu processo de ensino-aprendizagem precisa ser valorizada pela sociedade. E no contexto atual, o que vemos é repudio ao conhecimento, um desprezo dirigido ao professor e a carreira docente. Portanto, não é o uso intensificado da tecnologia que vai garantir a qualidade da educação. Embora ela continue sendo elementar no processo pedagógico.


3. Considerações Finais


Nossa reflexão aponta para um contraponto ao discurso hegemônico presente nas políticas públicas destinadas a educação na contemporaneidade. Observamos que tal discurso nega o fato de que uso da tecnologia nunca esteve desvinculado da sala de aula. Ignora também a relação inerente do desenvolvimento tecnológico ser fruto de críticas, usos e aperfeiçoamentos constantes destes recursos nos ambientes voltados ao processo de pesquisa e desenvolvimento, portanto, ambiente educacional.

Uma outra questão, também observada é, a negação das mazelas existente no projeto de educação esvaziada implementada à décadas no Brasil. Como já dizia o Darcy Ribeiro, “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. E, ao utilizar-se do discurso de que o uso da tecnologia na educação – como se está em algum momento tivesse ficado fora da educação – é a solução para a hecatombe educacional que vivenciamos, ignoramos a crise educacional enquanto projeto político institucional.

Constatamos que a tecnologia em dialogo contínuo e intenso pode contribuir para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que corroborem com o estilo da vida cotidiana das crianças, adolescentes e jovens imersos no mundo contemporâneo que é digital. No entanto, a tecnologia por se só não apresenta e nem pode apresentar solução para a crise educacional. Afirmar o contrário mostra uma visão de educação e de mundo baseada em fetiche.

4. Referências Bibliográficas


Johnson, A. G. (1997). Dicionário de Sociologia (1 ed.). (J. Zahar, Ed., & R. Jungmann, Trad.) Rio de Janeiro : Zahar.

Peixoto, J., & Araújo, C. H. (2012). Tecnogogia e Educação: algumas considerações sobre o discurso pedagógico contemporâneo. Educação & Sociedade, 33, 253-268. Acesso em 25 de Setembro de 2022, disponível em http://www.cedes.unicamp.br

Moretto, I. M., & Dametto, J. (dezembro de 2018). Desafios Educacionais da Era Digital: adversidades e possibilidades do uso da tecnologia na prática docente. Perspectiva, Erechim., 42, 77-87. Acesso em 16 de julho de 2022, disponível em chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.uricer.edu.br/site/pdfs/perspectiva/160_736.pdf.


 

Wellington Silva, é professor de História, Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela MUST. Possui Especialização em Sociologia Política; e em História do Brasil, é Licenciado em História.


Texto escrito em 25 de setembro de 2022 como trabalho avaliativo no Programa de Mestrado em Tecnologias Emergentes em Educação - MUST-UNIVERSITY.


 
 
 

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