
1) O bolsonarismo que nega a ciência e odeia os educadores, que nega o debate sobre o racismo e estimula a intolerância é o verdadeiro parteiro desta desgraça.
2) O aluno agiu pela misoginia e, aparentemente, racismo. Ele tem, apenas, 13 anos. Por óbvio que há responsáveis para além desse pré-adolescente por ele pensar e agir assim, desde células neonazistas que cooptam essas pessoas até a alta de conservadorismo que aflige, em especial, aos famílias e ambientes do necropentecostalismo. Mas se não agirmos rápido e com vigor, esse episódio poderá ser facilmente apropriado por esses mesmos grupos: o bolsonarismo e outros ultraconservadores, pois.
a) pode reforçar o punitivismo no debate sobre maioridade penal.
b) pode reforçar a ideia de que a violência escolar é um assunto tão somenos de segurança pública e não, principalmente, de saúde mental.
c) pode reforçar a ideia da militarização da escola pública ou, ao menos, trazer a polícia militar para o interior da escola pública ao passo que negligencia a extinção e terceirização de inúmeros cargos típicos do ambiente escolar como porteiro, serviços gerais, merendeiras, secretariado e, mesmo, docentes.
É fundamental que reafirmemos o contrário dessa pauta factível e que já está sendo operada pela extrema direita e, nisto, afirmar/denunciar:
I. a intensa precarização dos trabalhadores da educação, desde faxineiros a docentes, fruto de uma política de ódio a essas figuras fundamentais.
II. A importância da assistência social e da psicologia educacional no ambiente escolar como servidores públicos concursados e bem pagos.
III. Denunciar os valores irrisórios do investimento educacional por aluno nas escolas públicas estaduais e municipais (e, cada vez mais, federais) que trata nossos estudantes como verdadeiros cidadãos de segunda classe e precariza o espaço público, o tornando desprezado/desprezível e demasiadamente vulnerável a violência de todas as sortes. A escola deve ser um espaço comunitário que sirva como polo propulsor das questões coletivas e não reificação do individualismo visceral.
IV. reforçar que o crescimento da violência no ambiente escolar se dá por todos os fatores acima elencados dentre outros, aprofundado, especialmente, por uma degeneração da saúde mental coletiva imensamente abalada pelo individualismo pandêmico, desastres climáticos e horizontes sociais disruptivos e trágicos.
Que a "professora Beth" não seja apenas mais um nome de escola a cair no umbral da história.
Elizabeth Tenreiro, presente!

Marco Lamarão
Professor de História do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense Campus Macaé/RJ. Pesquisador associado do LIEPE (UFRRJ) e Colemarx (UFRJ). Coordenador do Observatório de Educação Fluminense.
Comments