
No 1º de maio, o dia do trabalhador, emerge como um ícone na vida dos operários. É o único momento em que o trabalhador é reconhecido e admitido no epicentro da sociedade capitalista.
Historicamente, o 1º de maio é um dia de organização, reflexão, militância e celebração das vitórias políticas, sociais e econômicas conquistadas pela classe trabalhadora. É também uma data para honrar a memória daqueles que tombaram na luta por uma vida e um trabalho dignos e humanos.
Verdade seja dita: desde a promulgação da Constituição de 1988, a classe trabalhadora tem sido alvo de golpes incessantes. No entanto, nada se compara à devastação, à desorientação e à crueldade dos ataques diários que se intensificaram desde o golpe de 2016. Nunca antes na história o trabalhador brasileiro sofreu tantas perdas em tão pouco tempo.
Mas não se trata apenas da supressão de direitos; é, acima de tudo, a consolidação do trabalho precário como forma predominante. O desemprego estrutural é a consequência das políticas neoliberais e do processo de concentração e centralização do capital. Hoje, esse capital assume sua forma financeira-internacional-rentista, transformando a realidade do trabalhador brasileiro em um filme de terror.
Antes da pandemia, tínhamos quase 14 milhões de desempregados, e grande parte da população ativa estava no mercado informal. O trabalhador já estava à deriva, mas o discurso hegemônico do empreendedorismo mascarava essa realidade. Com a pandemia, a verdade veio à tona, sem máscaras.
Diante de um governo cujas declarações e ações revelam traços fascistas, e considerando o abandono em que os trabalhadores se encontram, o cenário é de completo desespero.
Não, não há motivos para comemorar neste Dia do Trabalhador. Há, porém, muito a lamentar e muitos corpos a sepultar, muitos companheiros a consolar, muitos a quem estender a mão.
Como Rosa Luxemburgo alertou, torna-se cada vez mais evidente que, ou construímos o socialismo ou estamos fadados à barbárie.
Em meio ao caos existencial da devastação neoliberal no Brasil contemporâneo, resta aos trabalhadores a luta, a união e a solidariedade de classe.
Wellington Silva, professor de História e mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela MUST, possui especialização em Sociologia Política, História do Brasil e Proeja.
Este texto foi originalmente publicado na página do Facebook da Emancipação Comunista - Organização Marxista em 14 de maio de 2020.
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