
Se Darcy Ribeiro pudesse olhar para o futuro, ele nos diria que a humanidade está à beira de uma nova revolução civilizatória, tão profunda quanto a Revolução Agrícola ou a Industrial. Mas, ao contrário das anteriores, esta não será impulsionada apenas pela tecnologia ou pela economia, mas por uma transformação radical na forma como entendemos a vida, a cultura e o planeta.
Imagine um mundo onde a tecnologia não serve mais para explorar, mas para libertar. Onde a inteligência artificial, em vez de substituir o trabalho humano, amplifica nossa capacidade de criar, pensar e viver. Um mundo onde as máquinas não são donas do tempo, mas ferramentas para que todos tenham mais tempo para ser humanos. Darcy Ribeiro veria nisso não apenas uma possibilidade técnica, mas uma necessidade ética.
Ele nos lembraria que as grandes civilizações do passado — os incas, os egípcios, os chineses — não foram construídas apenas com pedras e metais, mas com sonhos coletivos. E o nosso sonho coletivo hoje deve ser o de uma civilização que não apenas sobreviva, mas que floresça em harmonia com a natureza e consigo mesma. Uma civilização que não se baseie na acumulação de riquezas, mas na distribuição de oportunidades.
Darcy nos surpreenderia ao dizer que o futuro não pertence aos países mais ricos ou às corporações mais poderosas, mas aos povos que conseguirem reinventar suas culturas para abraçar a diversidade e a sustentabilidade. Ele nos mostraria que a Amazônia, por exemplo, não é apenas uma floresta a ser explorada, mas um laboratório vivo de possibilidades, onde o conhecimento tradicional e a ciência moderna podem se encontrar para criar um novo paradigma de desenvolvimento.
E aqui está a surpresa: Darcy Ribeiro nos diria que o futuro já começou, mas ele está escondido nas periferias, nas comunidades indígenas, nas favelas e nos movimentos sociais. São nesses espaços que novas formas de organização, de produção e de vida estão sendo experimentadas. São nesses lugares que a semente de uma nova civilização está germinando, longe dos holofotes do poder e do capital.
Ele nos desafiaria a pensar: e se o verdadeiro progresso não for medido pelo PIB, mas pela felicidade das pessoas? E se o desenvolvimento não for sobre construir mais prédios, mas sobre garantir que todos tenham um lugar ao sol? E se a riqueza não for acumulada em bancos, mas compartilhada em comunidades?
Darcy Ribeiro, com sua visão antropológica, nos mostraria que o futuro não é algo que acontece conosco, mas algo que construímos juntos. E ele terminaria com uma pergunta provocadora: que tipo de civilização queremos deixar para as próximas gerações? Uma que repita os erros do passado, ou uma que ouse sonhar com um mundo melhor?
A resposta, ele diria, está em nossas mãos. E o tempo de agir é agora.
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