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A CHINA SE CONSTITUI ATUALMENTE EM UM ESTADO COM CARACTERISTICAS FASCISTAS?

  • Foto do escritor: Wellington Silva
    Wellington Silva
  • 25 de jul. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 4 de jan. de 2023



Para chegar-se a uma resposta sobre a pergunta proposta. É necessário primeiramente definir o conceito de fascista que utilizaremos na construção desta narrativa sociológica a respeito do Estado Chinês contemporâneo.


Entendemos como estado fascista aquele que desenvolve uma ideologia política, econômica e social que se constitui geralmente, diante de graves crises econômicas. O que, não é o caso atual da China. Também, é importante, termos consciência de que fascismo ainda é um termo em construção pelas ciências sociais e humanas.


No entanto, podemos nos apropriar das contribuições de autores importantes como Norberto Bobbio, Alexandre Gossn, Wilhelm Reich e Jason Stanley. Estes, desenvolveram trabalhos que servem de referência para o estudo do tema.


A partir dos autores citados. Definimos as principais características de um estado fascista. São elas: regime político autoritário; concentração total do poder nas mãos do líder do governo; culto ao líder; exaltação da coletividade nacional em detrimento das culturas de outros países; ampliação de seu território através de conflitos internacionais; alto investimento na produção de armas e equipamentos de guerra; controle de dos meios de comunicação de massa; aniquilação dos críticos por meio de violência institucional e terror.


Agora que definimos as características fundamentais para o termo “estado fascista” podemos avançar ao encontro da proposição que nos foi feita. A China se constitui atualmente em um estado com características fascistas? Mas ao se tratar da China uma análise sobre sua condição de organização política não é tão simples.


A China atual vive a continuidade de um processo revolucionário. Este, culminou com a transformação de seu regime político anterior em uma nova forma de organização política, econômica e social. Apresenta como princípios elementares; uma sociedade igualitária, baseada nas teorias desenvolvidas inicialmente por Karl Marx e Friedrich Engels. Mas que ao longo do tempo teve a contribuição de diversos pensadores socialistas.

Neste sentido, a China é para todos os efeitos como se apresenta nas relações internacionais, ou pelo modo que as outras nações a reconhece, um estado comunista. Porém, é preciso deixar claro que a sociedade comunista não é possível de existência sem a destruição do “sistema do capital”. Afirmação consolidada por István Mészáros em sua emblemática obra “Para Além do Capital”. Desta forma utilizando-se do pensamento de Lenin, o capital só pode ser destruído se a revolução se internacionalizar e conquistar a hegemonia política e econômica.

Podemos afirmar que a China desde a sua revolução. E, posteriormente ao rompimento com a URRS, precisou constituir um modelo econômico, político e social inspirada em uma sociedade de caráter comunista. Contudo, tem enfrentado o preço de tentar desenvolver uma forma de organização que se contrapõe à forma hegemônica.


Nas palavras de István Mészáros. As experiências autodenominadas de sociedades comunistas não devem assim ser chamadas. Pois, elas caracterizam relações sociais de produção pós-capital. Ou seja, romperam com o capitalismo (uma das manifestações em que o capital se apresenta), mas não conseguiram se sobrepor ao capital.


Como afirma o filosofo Paulo Arantes, em live intitulada “Aviso de Incêndio no Museu da Ideologia Francesa”. Existe duas formas de acumulação primitiva que são necessárias para o desenvolvimento tecnológico e industrial de uma nação. A primeira é subordinando e escravizando outros povos; a segunda por falta de outros povos para subordinar e escravizar, é fazer isto com os próprios concidadãos. De acordo com Paulo Arantes, foi o que ocorreu com a URRS e com a China para que conseguissem se desenvolver e tornassem potências.


Portanto, o Estado Chinês para tornar-se a potência atual, precisou subordinar e escravizar o seu povo por um período significativo. No entanto, essa é apenas uma das características de um estado fascista, desta forma, não pode ser considerada elemento consistente para caracterizar a China como um estado fascista. Até mesmo pelo fato de que essa característica também esteve presente em todas as nações que se tornaram potências econômicas.


É uma característica atual do Estado Chinês, um autocontrole dos meios de comunicações de massa. Mas, podemos utilizar esta característica para definir o Estado Chinês como um estado fascista? Olhemos a questão da imprensa nas outras nações mundiais e veremos que embora se pregue uma liberdade de imprensa, essa liberdade não existe de fato.


Não raro, existem movimentos em luta por uma regulamentação dos meios de comunicação. Nesta contraposição, o objetivo não é, a censura. Mas sim, a responsabilização desses veículos pelas consequências ocasionadas pelos seus atos irresponsáveis. Também, não é raro, e de forma crescente o uso dos meios de comunicações por potências imperialistas como instrumentos para as chamadas “Guerras Hibridas”.

Podemos também pegar a questão do partido único para classificar o Estado Chinês como estado fascista. No entanto, cabe algumas ressalvas importantes. O partido único é característico dos projetos de sociedades socialistas. Isso não significa ausência de democracia, pois a democracia não é a liberdade de pluralidade partidária, mas sim a liberdade de atuação política. Portanto, é mais uma característica que pode ser utilizada para denominar o Estado Chinês de fascista. Mas quando analisada com um pouco mais de atenção tornar-se descartável.

Sem sombra de dúvidas o Estado Chinês apresenta algumas características desta ideologia. No entanto, antes de acusar o mesmo. É preciso analisar o contexto político e econômico mundial. É necessário compreender a que serve caracterizar a China de fascista. Vale lembrar que as características apresentadas pelo Estado Chinês também estão presentes nos diversos Estados Nacionais nas quatro pontas do globo. Porém, não se ver uma necessidade de caracterizar estes, como fascistas.

Não se pode acusar um estado que apresenta algumas características típicas de regimes fascistas de assim o ser. Pois, como mencionado no início, o fascismo é acima de tudo um movimento articulado política, econômica, social e culturalmente. Dito isto, não é possível afirmar a existência de um movimento fascista na Nação Chinesa.


Podemos assim concluir nossa reflexão afirmando que sim, a China possui atualmente algumas características típicas de regimes fascistas. No entanto, essas características não se constituem em elementos suficientes para acusar o Estado Chinês de ser um regime fascista.


Também, é de estrema relevância e elementar honestidade transparecer que tais características se tornaram componente político até mesmo nos estados que se dizem arautos da democracia.

A crise estrutural do capital. Como denominou István Mészáros, vivenciada pelo capital nas últimas décadas esteja conduzindo os estados nacionais a assumirem antigas características dos regimes fascistas. Estas surgem como método para conseguir maior exploração da classe trabalhadora.


Wellington Silva, é professor de História, Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela MUST. Possui Especialização em Sociologia Política; e em História do Brasil, é Licenciado em História.


Texto escrito em 2021 como trabalho avaliativo na Especialização em Sociologia Política. Publicado com revisões.


 
 
 
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"A cura para o tédio é curiosidade. Não há cura para a curiosidade". Dorothy Parker

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